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A empatia com vocĂȘ mesmo

  • Foto do escritor: PsicĂłloga Luciana Salvador
    PsicĂłloga Luciana Salvador
  • 3 de set. de 2021
  • 3 min de leitura

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O psicĂłlogo Carl Rogers falava de atitudes importantes que as pessoas deveriam ter umas com as outras. Uma delas Ă© a empatia, aquela capacidade de colocar-se no lugar do outro, compreendendo o ponto de vista dele. Outra condição Ă© a aceitação positiva incondicional, ou seja, aceitar a outra pessoa mesmo com os erros que ela cometa e com todos os defeitos que ela tenha. Isso seria amar os outros sem colocar “condiçÔes”, sem o “amarei vocĂȘ se....”

Apesar de se falar muito em desenvolver essas atitudes com as pessoas, quero analisar aqui o fato de usar essas “habilidades” nĂŁo somente com os outros, mas com vocĂȘ mesmo. Tenho percebido vĂĄrias pessoas que conseguem desenvolver muito bem a empatia e aceitação positiva incondicional com as outras pessoas, se mostrando compreensiva com todos e entendendo pontos de vista alheio, mesmo que nĂŁo concorde com eles. Contudo, muitas dessas pessoas nĂŁo conseguem exercitar isso com elas mesmas. Ou seja, conseguem compreender os erros dos outros, mas se julgam excessivamente pelos seus prĂłprios erros.

Se podemos nos colocar no lugar do outro e ser compreensivo com ele, como dizia Rogers, aceitando o outro incondicionalmente, como podemos fazer isso conosco?

Um dos aspectos que considero importante para desenvolver a empatia com vocĂȘ mesmo Ă© o exercĂ­cio do perdĂŁo. Nem sempre Ă© o suficiente perdoarmos ou sermos perdoados por alguĂ©m. Muitas vezes vocĂȘ tem que aprender a perdoar a si mesmo. Conheço muitas pessoas que carregam hĂĄ anos fardos de coisas que consideram ruins que fizeram por nĂŁo terem se perdoado disso. O autoperdĂŁo Ă© importantĂ­ssimo porque libera a pessoa, lhe dĂĄ possibilidade de fechar a gestalt de uma situação que ainda estĂĄ inacabada.

VocĂȘ pode exercitar o autoperdĂŁo em relação a qualquer coisa do seu passado que vocĂȘ ainda se culpa ou se cobra. Uma das tĂ©cnicas que costumo utilizar para facilitar isso Ă© um diĂĄlogo interno. VocĂȘ pode imaginar ou fazer uma conversa de uma parte de vocĂȘ com outra parte, em que uma delas pede o perdĂŁo para a outra, falando como se sente. Depois disso a outra parte fala o que gostaria de falar. Esse diĂĄlogo pode continuar por algum tempo, mas Ă© importante que finalize com o perdĂŁo de uma das partes. Outra forma de fazer esse diĂĄlogo Ă© escrevendo uma carta para vocĂȘ mesmo pedindo perdĂŁo pelo que fez -seja lĂĄ o que for- e escrevendo depois uma carta com a resposta do perdĂŁo. Se vocĂȘ conseguir fazer essa tĂ©cnica com sinceridade, abertura e entrando em contato com seus sentimentos, terĂĄ resultados muito positivos na forma como vocĂȘ se sente em relação Ă quela questĂŁo.

Às vezes, mesmo nestes diĂĄlogo,s as pessoas tĂȘm dificuldades para pensar coisas positivas sobre elas mesmas quando cometeram um erro, sem conseguir encontrar formas de se perdoarem de forma sincera pelo que fizeram. Se for assim, outra tĂ©cnica que ajuda Ă© pensar em alguĂ©m que vocĂȘ goste muito, alguĂ©m por quem vocĂȘ sinta esse amor incondicional. Imagine entĂŁo que essa pessoa esteja passando pela mesma situação que vocĂȘ, tendo cometido o mesmo erro pelo qual vocĂȘ se culpa. E imagine o que vocĂȘ diria a ela.... Tenho certeza que vocĂȘ seria menos rĂ­gido do que Ă© com vocĂȘ mesmo. E imagine entĂŁo falando o que vocĂȘ diria Ă quela pessoa para vocĂȘ mesmo.

Essa forma de pensar sobre a questĂŁo pode ajudĂĄ-lo jĂĄ que muitas vezes, quando a pessoa muda a perspectiva, olhando-se de fora, consegue se perceber com menos exigĂȘncia.

Lembre-se que a desculpa serve para eliminarmos a culpa pelas coisas. A culpa não serve para nada jå que ninguém muda por culpa. Mas a desculpa ou o perdão mais importante do qual necessitamos e que tem mais força para nós é o que vem de nós mesmos.

Li hĂĄ algum tempo uma autora que dizia ter escrito em um papel no espelho de seu banheiro para que ela lesse todos os dias os dizeres “Amarei vocĂȘ sempre, todos os dias, mesmo que vocĂȘ faça algo bobo como escorregar e bater a cabeça, mesmo assim continuarei te amando”. Essa frase representa bem o amor incondicional que devemos ter por nĂłs. Gostar de vocĂȘ, mesmo considerando todas as suas “imperfeiçÔes” e problemas.

E, quando nĂłs nos amamos verdadeiramente, certamente conseguimos amar aos outros de forma mais profunda e saudĂĄvel.

 
 
 
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