Fechando Gestalten


A todo momento de nossa vida temos necessidades que precisam ser satisfeitas de alguma maneira. Um exemplo simples em relação a uma necessidade física é quando estamos com sede. Nesse momento essa necessidade se torna o principal foco de atenção em nossa mente e corpo, só pensamos nisso e precisamos nos movimentar para satisfazer essa necessidade. Quando essa necessidade é atendida, a gestalt (palavra em alemão que significa forma total) que ela organizou se completa e aí ela passa então a não exercer mais influência em nosso corpo e em nossa mente. Podemos então não pensar mais naquilo e passarmos a pensar em outras coisas.

Com as emoções, ocorre algo parecido. Quando sentimos algo intenso – tristeza, raiva, amor e etc.- de alguma forma precisamos lidar e satisfazer a necessidade que esse sentimento nos traz. Quando conseguimos fazer isso, podemos “passar de fase”, estarmos mais preparados para outras situações da vida e, consequentemente, mais saudáveis. Por isso a Gestalt-terapia considera muito importante fazer o fechamento de gestalten (palavra que significa gestalt no plural)

Porém, em muitas situações de nossa vida, ignoramos o que acontece conosco emocionalmente, não reconhecendo as nossas necessidades. É muito comum, por exemplo, uma pessoa sentir-se triste e tentar ignorar esse sentimento, “tentando” sentir algo diferente para não ter contato com sua tristeza. Outro sentimento que as pessoas tendem a omitir de si mesmas é a raiva. Contudo, quando não reconhecemos o que estamos vivenciando, alguma necessidade não é atendida e então essa formação da gestalt fica bloqueada ou fixada em alguma etapa. Assim, quando necessidades não são reconhecidas e expressas de alguma forma, o fluxo do campo organismo e ambiente fica perturbado. Necessidades não atendidas formam gestalten incompletas que clamam por atenção e, portanto, interferem na formação de novas gestalten.

Mas como lidar com essas necessidades emocionais? Em primeiro lugar ter um reconhecimento do que estamos sentindo já é a maior parte deste trabalho. Para reconhecer precisamos ter contato como o que se passa conosco. Perceba o que você sente durante o seu dia, como estão suas emoções, tanto as “ruins” quanto as boas, sem julgamentos. Muitas vezes só esse contato já pode satisfazer muitas necessidades. Como disse uma paciente há pouco tempo, “se você ficar cinco minutos com a tristeza, muitas vezes ela acaba passando”.

Outras vezes, além do contato com os sentimentos, precisamos também expressá-los de alguma maneira. É claro que nem sempre poderemos fazer isso socialmente, mas uma opção que sempre é viável é expressarmos para nós mesmos. Um exemplo disso é quando percebo que estou com raiva e imagino o que falaria para aquela pessoa no momento (mesmo que não possa falar na realidade). Ou quando estou triste e choro por algo que me magoou.

Estou falando aqui de situações simples do cotidiano e sei que há situações que são muito mais difíceis de enfrentarmos e expressarmos. Por isso, a ajuda terapêutica é primordial nesses momentos, para que essas situações não deixem gestalten abertas futuramente e gerem psicopatologias.

A cada momento que fechamos uma gestalt, estamos liberando energia para novas coisas em nossa vida e, por isso, podemos conceber esse movimento como a verdadeira “liberdade emocional”. Estar livre é não sentirmos mais aprisionamento às nossas próprias emoções, não porque as escondemos ou as reprimimos mas sim porque já as conhecemos e conseguimos lidar com elas.

E, citando o gestalt terapeuta Stevens, “esse relacionamento honesto conosco nem sempre é alegre e agradável, às vezes é triste e bravo, mas é sempre real, sólido e vivo”

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